Quem passa pelo bairro Cophavila 2, em Campo Grande (MS), desde o último domingo (26), pode ser surpreendido. Em uma das paredes das casas, o grafite de um personagem, de luvas e máscara, chama a atenção. Simulando uma espécie de vírus em um estilingue, o personagem parece “jogar a doença” nas pessoas, cuidando apenas do próprio corpo.
A obra “Genocida” é de autoria de Leonardo Mareco, de 22 anos, artista de rua e estudante de artes visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Mareco conta que a ideia veio pelo desrespeito de moradores da capital sul-mato-grossense com as medidas de prevenção contra o novo coronavírus.
“Quis trazer essa relação de uma brincadeira de criança e a pandemia, onde muitas pessoas não estão respeitando as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), para conscientizar a população de que o vírus está “a solta” e devemos tomar todas as precauções possíveis”, aponta o jovem.
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A ideia de Mareco, que começou a fazer pinturas com um primo, após ter interesse na arte de rua desde criança, reverberou entre quem passava pelo local. “Algumas pessoas elogiaram, outras não entendiam, outras fechavam o semblante. Isso é normal quando se trabalha na rua, estamos expostos a qualquer tipo de reação. Mas foi bacana que dois ciclistas pararam e tirarem fotos, me elogiaram e disseram que gostam muito desse tipo de arte”, conta o artista.
O jovem conta que suas obras são do estilo “lambe-lambe”, um pôster artístico que é colado em espaços públicos e pintado com tinta, e tem autorização dos proprietários das casas para serem realizadas. A ideia de Mareco é de debater questões sociais com as intervenções urbanas. “Minha arte funciona como uma devolutiva para a sociedade. Tudo que eu vivo, vejo, consumo está presente nela”, afirma.
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Sem aulas por conta da pandemia e focando no trabalho como artista de rua, Mareco se permite, também a sonhar com o futuro pós coronavírus. “Acredito que todo artista independente tem o desejo de poder viver da sua arte, comigo não é diferente. Quero poder explorar outros horizontes e levar meu trabalho para muito mais pessoas. A arte do “lambe” pode ser universal”, finaliza.




